descobrimento_do_brasil_001.jpgIniciamos hoje o resumo de um novo livro: História Concisa do Brasil (Edusp, 2006), de Boris Fausto. Abaixo, estão as informações mais importantes do item 1.1 (Expansão Marítima e a Chegada dos Portugueses ao Brasil), que abre o primeiro capítulo, O Brasil Colonial (1500-1822). Aproveitem a leitura!

Portugal não escapou à crise geral do Ocidente da Europa, mas enfrentou-a em condições políticas melhores do que as de outros reinos. Durante todo o século XV, Portugal foi um reino unificado e menos sujeito a convulsões e disputas, contrastando, nesse sentido, com a França, a Inglaterra, a Espanha e a Itália, todas envolvidas em guerras e complicações dinásticas. A monarquia portuguesa consolidou-se através de uma história que teve na revolução de 1383-1385 um de seus pontos mais significativos.

A partir de uma disputa em torno da sucessão ao trono português, a burguesia comercial de Lisboa se revoltou.  Seguiu-se uma grande sublevação popular, a “revolta do povo miúdo”, no dizer do cronista Fernão Lopes. A revolução era semelhante a outros acontecimentos que agitaram o Ocidente europeu na mesma época, mas teve um desfecho diferente das revoltas camponesas, esmagadas em outros países pelos grandes senhores. O problema da sucessão dinástica confundiu-se com uma guerra de independência quando o rei de Castela, apoiado pela grande nobreza lusa, entrou em Portugal para assumir a regência do trono. No confronto, firmaram-se, ao mesmo tempo, a independência portuguesa e a ascensão ao trono da figura central da revolução, Dom João, Mestre de Avis, filho bastardo do rei Predro I. descobrimento_do_brasil_001.jpg

Embora alguns historiadores considerem a revolução de 1383 como uma revolução burguesa, ela resultou, a partir da política posta em prática pelo Mestre de Avis, em reforço e centralização do poder monárquico. Em torno dele, reagruparam-se os vários setores sociais influentes da sociedade portuguesa. Este é um ponto fundamental na discussão sobre as razões da expansão portuguesa. Nas condições da época, era o Estado, mais propriamente a Coroa, quem podia se transformar em um grande empreendedor, se alcançasse as condições de força e estabilidade para tanto.  

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No começo do século XV, Portugal se afirmava no conjunto da Europa como um país autônomo, com tendência a voltar-se para fora. Os portugueses tinham já experiência acumulada ao longo dos séculos XIII e XIV no comércio de longa distância. A atração para o mar foi incentivada pela posição geográfica do país, próximo às ilhas do Atlântico e à costa da África. Lembremos que a expansão correspondia aos interesses das classes, grupos sociais e instituições que compunham a sociedade portuguesa. Não por acaso converteu-se em uma espécie de grande projeto nacional. Os impulsos para a aventura marítima não eram só comerciais, embora o interesse material prevalecesse. As chamadas regiões ignotas alimentavam a imaginação dos povos europeus, que vislumbravam reinos fantásticos. O ouro e as especiarias foram os bens mais buscados na expansão ultramarina portuguesa, cujo ponto de partida está ligado à conquista de Ceuta, no Norte da África, em 1415.

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